Meu Perfil
BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Stormfeeling
 Olha o passarinho, Jesus


 
..........Jhosi.........


Eu que fiz...



Escrito por Jhosi às 01h02
[] [envie esta mensagem] [ ]



Cara.. sabe o que eu acabei de ver na tv?
Vão reprisar Ana Raio e Zé Trovão!
\o/
O SBT é foda!

Vou ver o gatão do Almir Sater de novo!
Ai ai..


HAUahuAHUHAuAHuAHuAHuhA



Escrito por Jhosi às 23h13
[] [envie esta mensagem] [ ]



Conversas do cafézinho...

No meu local de trabalho, ou melhor dizendo "estágio", só tem mulher.
Claro que rola aquele papo de azaração e tal...
O fato que essas mulheres, todas as três incluindo eu, são estudantes de história.

H1: - Mas você afim dele ou não?

H2: - To, mas nem sei se ele está afim ou não...

H3: - Não é assim que funciona...

H1: - Agarra ele pela barba e leva ele pro seu barco vingink, do amor!

H3: - Porque quando você quer algo você vai lá e pega... simples!

H2: - Acho que to começando a entender...

 

Entenderam?
Será que é por isso que estamos solteiras?
hAUhauhauaua



Escrito por Jhosi às 23h59
[] [envie esta mensagem] [ ]



Livros e Filmes..

Sempre que vejo que um dos meus livros favoritos virarão filmes me dá um arrepio...
Não tem como saber o que virá!
E aqui começa meu desespero...

Há uns dois anos li um livro apaixonante chamado A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick.
A história é fantastica, imaginem Paris na decada de 20/30.
Um garoto que mora na estação de trem e é responsavel pela manutenção de todos os relogios da estação...
Não vou contar muito da história pra não estragar a surpresa, vai que alguem se interessa e resolve ler ne!
Pois bem, acho que o que torna o livro tão especial é o fato de como foi elaborado, narrado através de imagens e leitura, misturando quadrinhos e cinema...

Além das ilustrações serem incriveis.. fala sério!

 

 

O unico fato que me deixa um pouquinho aliviada é saber que quem vai rodar é Martin Scorsese.

 



Escrito por Jhosi às 00h23
[] [envie esta mensagem] [ ]



Gabriel Garcia Marquez

Sempre gostei do autor, os livros que li não decepcionaram: Cem anos de solidão, Memórias de minhas putas tristes, O amor nos tempos do cólera, entre outros.
Por acaso veio parar em minhas mãos o livro Crônica de uma morte anunciada.
Publicado na década de 80 o livro prometia ser um marco na carreira do autor, ele afirmava que estava deixando de lado a narrativa ficcional para se dedicar a escritos que viessem a beneficiar os povos oprimidos. Creio que conseguiu.

O texto, como sempre claro e extremamento rico em detalhes, deixa explicito desde a primeira página a morte anunciada. Contudo é impossível não torcer para que o personagem não morra. Impossível não participar da tensão das ultimas horas. Como sempre me envolvi da primeira a ultima página e fiquei triste com o final.

Algumas particularidades, como um grande número de fatos históricos, desenvolvimento urbano, Caribe como cenário... mas, principalmente o final dos livros me faz vibrar e ficar triste: não é um conto de fadas, os personagens tem defeitos, personalidade, caracteristicas únicas. Não espere um final feliz tradicional.
Espere uma felicidade real, dessas que podem ser alcançadas pelos mortais!
Conte com a realidade, a lógica, o óbvio!

Claro, isso não se encaixa em todos os livros, como em Cem anos de solidão por exemplo. Esse surpreende muito!

Mas a capacidade que o autor tem de transmitir através das palavras os sentimentos dos personagens por ele inventados... me deixa pasma!

Creio que não só eu, afinal  não é a toa que ele ganhou tantos prêmios.
Quem não leu está perdendo.
Quem já leu sabe do que eu estou falando...

Gabriel García Marquez é fodastico!



Escrito por Jhosi às 23h23
[] [envie esta mensagem] [ ]



Ousado aventureiro, decida de uma vez:
Faça o sino vibrar e aguarde o perigo
Ou acabe louco de tanto pensar:
"Se eu tivesse tocado, o que teria acontecido?"

C.S. Lewis - Nárnia

***

Puts...
Como esse livro é bom!
=)

 



Escrito por Jhosi às 00h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



Na minha vida férias é um periodo completamente confuso.
Não faço nada admiravel, mas faço coisas que quis fazer o ano todo.
Leio meus livros, vou ao museu, assisto futebol na TV, vejo filmes antigos, vou ao cinema, ando mais do que minhas pernas aguentam...
Apesar de tudo as vezes me da a sensação de tudo ser perda de tempo! Como se eu estivesse deixando uma obrigação de lado.

Me lembrei que tenho um blog e me surpreendi em saber que ele está ativo!

Tá, tudo bem: apaguei algumas coisas!
Mas eu sempre apago o que não faz sentido...

To começando odiar as ferias!

¬¬'



Escrito por Jhosi às 23h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



Minhas atividades no estágio consistem em mexer com pó, papel velho, jornal velho e, às vezes, alguns livros.
Por pura preguiça de trabalhar resolvi olhar os livros.
Por sorte encontrei "20 Navios", de Ruy Guerra.
Fiquei tão feliz que até enviei essa crônica pra algumas pessoas (espero que alguém leia).
Talvez porque há tempos não lia uma crônica...
Talvez porque tenha feito muito sentido naquele momento...
Mas acho que gostei mesmo porque me lembrou uma amiga que nunca recebeu flores.
E fiquei imaginando como será esse dia pra ela...

***

A CORAGEM DOS POETAS

 

"Eu te amo": acho que são as três palavras mais difíceis de serem ditas em alto e bom som.
Palavrão qualquer um grita, berra, se expõe. Insulto é moeda correte.
Mas quando chega a hora de falar de amor, quase todo mundo amarela.

Há poucos dias foi meu aniversário.
Embora eu me ache um garoto (como qualquer um se considera a si mesmo),
cheguei a um numero de anos que já dá um certo pudor festejar.
Acho até que deveria ser o contrário, a cada década se devia ganhar uma espécie de medalha pelo simples
fato de estar vivo. Lembro que um dia li que os chineses aguardam impacientementes o meio século de vida, considerado glorioso.
Mas por lá o luto é branco, velhice é sabedoria e não senilidade... e se como cachorro.
Quer dizer, cada roca com seu fuso - provérbio da minha infância que a maioria vai precisar ler três vezes para ainda assim não ter a certeza de
ter entendido.
Claro que isso de idade tem o que lhe diga.
Minha irmã mais velha, que sempre se considerou um pouco como um filho pelos cinco anos que nos separam
(sete a dois é um escore considerável!), não há muito tempo me devolveuuma carta que escrevi quando tinha
meus oito anos de idade, em que comentava o aniversário de uma amiguinha, em casa de quem estava passando férias.
Guardo suave a recordação de uma ardente paixão não correspondida, que exorsisava numa concisa frase escrita numa caligrafia incerta.
Escreti, textualmente:
"A Suzete fez ontem 12 anos. Está velha."
Chamo a atenção para o sábio uso do ponto, antes da sentença definitiva, amarga vingança do meu amor ignorado.
Lembro também, agora sem ternura mas com certa tristeza, que nunca fui capaz de revelar os meus inuteis sentimentos à Suzete.
É natural, dirá quem lê.
Não é, não.
Devíamos ser forjados na coragem das declarações de amor e não no medo do repúdio. Devíamos ter a coragem de
gritar aos quatro ventos o nosso amor pela mulher que nos emociona, pela flor que nos deslumbra, pelo pôr-do-sol que nos cala.
Não jogar sempre na defesa, com medo do ridículo de ser desprezado, de ser considerado de través, de nos interpretarem mal.
Eu também acho que não tem nada mais ridiculo que um homem apaixonado.
Eu também acho que não tem nada mais ridiculo que um homem com um ramo de flores na mão esperando uma mulher que não aparece ao encontro.
Eu também ach oque não tem nada mais ridiculo que homem embevecido com um pôr-do-sol de cartão-postal.
Mas também acho - depois de muitas cabeçadas na parede - que o ridiculo está em quem o vê assim.
Foram precisas muitas estradas percorridas para compreender algo tão simples. Que não temos a coragem dos poetas, que não é outra senão a de virar as coisas do avesso para que as vejamos em toda a sua simplicidade.
Que somos mais facilmente valentes quando nos defrontamos com a violência que com a ternura. Que uma declaração de amor nos assuta mais que uma ponta de faca.

Só há relativamente poucos anos descobri as flores.
Um dia, a propósito de nada, recebi flores de uma amiga. Friso: amiga, nem sequer namorada.
Foi uma experiencia traumatica. Um deslumbramento.
A partir deste simples fato reformulei toda uma linguagem afetiva. Só não mando mais flores por desleixo, mas pelo menos me consolo: tenho sempre dado flores ás minhas filhas, desde a mais tenra idade.
Suspeito que vai haver uns sorrisinhos marotos diante desta afirmação. Homem não gosta de flores. Eu gosto, e digo. E mais, me orgulho de ter descoberto esse prazer. Como me orgulho de ser capaz de dizer em voz alta, sem receio de ouvidos indiscretos: "Eu te amo", quando amo.

No dia do meu aniversário, sou de Leão com ascendente em Leão e não sei muito bem o que isso significa porque nada entendo de signos e nem sei mesmo se acredito em astrologia, tive vários momentos gratificantes. Aqui, neste contexto, lembro apenas as papoulas que recebi de minha filha Janaína, e um livro, oferecido por um grande amigo.
A dedicatória (que eu gostaria de merecer), fechava com estas palavras mágicas: "Eu te amo."
Um amigo, sem medo dos sentimentos ou mal-entendidos, um homem com a coragem dos poetas.
 
Ruy Guerra - 20 Navios



Escrito por Jhosi às 23h08
[] [envie esta mensagem] [ ]



Fernando Pessoa sempre faz muito sentido

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

Fernando Pessoa



Escrito por Jhosi às 22h48
[] [envie esta mensagem] [ ]



ABANDONADO
1
Cheguei tarde de mais
Para a ultima condução
Fiquei na cidade
que não é cidade
sem matutinos
sem vespertinos
não há
prisão
relógio
nem água
aproveito
um tempo
fora do tempo
faço longas caminhadas
por avenidas de prédios queimados
avenidas de açúcar
de vidros quebrados
de arroz
poderia escrever um tratado
sobre a transformação abrupta
da vida em arqueologia

2

há um silencio terrível
a artilharia nos subúrbios
se perdeu na própria coragem
às vezes
não se escuta nada
além do eco das paredes que restam
e o trovão leve
das lages ao vento
há um silencio terrível
que precede a noite do predador
às vezes um avião absurdo
surge no céu
joga folhetos
demandando rendição
eu adoraria me render
mas não tenho a quem

3

no momento estou
no melhor hotel
um porteiro morto
se mantém no posto
saio de uma pilha de entulho
e ando direto até o primeiro andar
para dentro do quarto
da ex-amante
do ex-delegado
durmo numa cama de jornal
me cubro com um pôster
que promete a grande vitória
no bar ainda há
remédio para a solidão
garrafas de liquido dourado
e um rotulo simbólico
-Johnnie
com um aceno da cartola
se manda para o oeste

não culpo ninguém
por estar abandonado
minha sorte acabou
a mão certa não vem
no teto
a lâmpada lembra
uma caveira de ponta-cabeça
aguardo os vencedores
brindo aos derrotados
brindo aos desertores
me livrei
das idéias macabras
até o pressentimento da morte
me abandonou


Zbigniew Herbert

 



Escrito por Jhosi às 19h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



Uma fábula sobre a fábula

(Lenda Oriental)

Allahur Akbar! Allahur Akbar! (Deus é grande! Deus é grande!)
Quando Deus criou a mulher criou também a fantasia. Um dia a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Envolta em lindas formas num véu claro e transparente, foi ela bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras mulçumanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Verdade! - respondeu ela, com voz firme. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, o Cheique do Islã!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:
- Senhor, - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid, Príncipe dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se a Verdade!
- A Verdade! - exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. - A Verdade quer penetrar neste palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!
Voltou o chefe dos guardas com o recado do grão-vizir e disse à Verdade:
- Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso Califa. Com esses ares impúdicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, pelos caminhos de Allah!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou muito triste a Verdade, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harun Al-Raschid, cujas portas se lhe fecharam à diáfana formosura!
Mas...
Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid...
Cobriu as peregrinas formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras mulçumanas.
Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Acusação! - respondeu ela, em tom severo. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Comendador dos Crentes!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se como o grão-vizir.
- Senhor - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid.
- Como se chama?
- A Acusação!
- A Acusação? - repetiu o grão-vizir, aterrorizado. - A Acusação quer entrar nesse palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, que não pode entrar! Dize-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor!
Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade.
- Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Allah!
Vendo quem não conseguiria realizar o seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso Harun Al-Raschid, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.
Mas...
Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também o Capricho.
E a Verdade entrou-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Vestiu-se com ríquissimos trajos, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto diáfano de seda e foi bater à porta do palácio em que vivia o glorioso senhor dos Árabes.
Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês de Ramadã, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
- Quem és?
- Sou a Fábula - respondeu ela, em tom meigo e mavioso. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o generoso sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Árabes!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:
- Senhor, - disse, inclinando-se, humilde - uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicita audiância de nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Crentes.
- Como se chama?
- Chama-se a Fábula!
- A Fábula! - exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. - A Fábula quer entrar neste palácio! Allah seja louvado! Que entre! Benvinda seja a encantadora Fábula: Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes! Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!
E abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.
E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harun Al-Raschid, Vigário de Allah e senhor do grande império mulçumano!



Escrito por Jhosi às 22h55
[] [envie esta mensagem] [ ]



Poema

Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço, um consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim

De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos ou anos atrás



Escrito por Jhosi às 23h02
[] [envie esta mensagem] [ ]



Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara" muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só pra escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!

Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...

Bom mesmo é ir a luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é MUITO p/ser insignificante.
(Chaplin)


Escrito por Jhosi às 22h48
[] [envie esta mensagem] [ ]



Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.



Escrito por Jhosi às 22h02
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]